Análise de Resident Evil Requiem: terror, nostalgia e um retorno poderoso para Raccoon City
Publicado em 09/05/2026 por revisaojog
Veredito rápido
Resident Evil Requiem é um dos capítulos mais fortes da fase moderna da franquia. O jogo mistura horror de sobrevivência, ação cinematográfica, investigação, nostalgia e uma atmosfera pesada que lembra por que Resident Evil continua sendo uma das séries mais importantes do gênero.
Pontos positivos
- Atmosfera pesada e muito bem construída
- Grace Ashcroft funciona muito bem como protagonista de horror
- Leon S. Kennedy traz ação, carisma e nostalgia
- Raccoon City volta com força emocional
- Visual excelente no RE Engine
- Alternância entre primeira e terceira pessoa ajuda a experiência
- Ótimo design de som
- Momentos de tensão realmente funcionam
- Boa mistura entre horror clássico e ação moderna
- Um dos jogos mais cinematográficos da franquia
Pontos negativos
- Alguns trechos de ação podem diminuir a tensão
- Boss fights nem sempre mantêm o mesmo nível do restante do jogo
- Pode ser menos assustador para quem joga mais focado em Leon
- Fãs que preferem horror puro podem estranhar a variação de ritmo
- Exige hardware forte no PC para melhor experiência
- Algumas referências à franquia podem pesar para jogadores novos
O que é Resident Evil Requiem?
Resident Evil Requiem é o novo capítulo principal da série Resident Evil e funciona como uma evolução direta da fase moderna iniciada por Resident Evil 7, continuada por Village e fortalecida pelos remakes recentes.
A grande diferença aqui está na divisão de protagonismo. De um lado, temos Grace Ashcroft, uma analista do FBI envolvida em uma investigação sombria. Do outro, temos Leon S. Kennedy, veterano conhecido pelos fãs desde Resident Evil 2.
Essa combinação é o coração do jogo. Grace representa o medo, a vulnerabilidade e a investigação. Leon representa experiência, ação e conexão direta com a história clássica da franquia.
Segundo a própria Capcom, Requiem combina o survival horror de Grace com a ação intensa de Leon, criando duas jornadas com estilos diferentes dentro da mesma experiência.
Primeira impressão: Resident Evil voltou a ser assustador
Logo nas primeiras horas, Resident Evil Requiem deixa claro que quer ser mais do que apenas uma sequência segura.
A atmosfera é densa. Os corredores são escuros, os ambientes parecem vivos e o jogo usa silêncio, som distante, luz fraca e espaços apertados para criar tensão. Não é aquele terror que depende apenas de sustos fáceis. O medo vem da expectativa.
Você entra em salas sem saber se deve economizar munição, se deve fugir, se deve explorar mais ou se está prestes a encontrar algo pior. Essa sensação de insegurança é exatamente o que fez Resident Evil ser tão forte no passado.
A diferença é que agora tudo tem uma apresentação moderna, com visual de alto nível e uma direção mais cinematográfica.
Grace Ashcroft é o lado mais assustador do jogo
Grace é provavelmente o maior acerto de Requiem. Ela não entra na história como uma super-heroína pronta para destruir tudo. Ela parece vulnerável, tensa e fora do controle da situação.
Isso faz diferença.
As seções com Grace funcionam melhor quando o jogo aposta em sobrevivência, exploração, puzzles, pouca munição e perseguição. A sensação é mais próxima de Resident Evil 7 e Resident Evil 2 Remake: você não quer desperdiçar recursos, não quer fazer barulho e não quer encontrar aquilo que está te caçando.
É nesse lado que Resident Evil Requiem mais brilha como survival horror.
Grace também ajuda a série a respirar. Em vez de depender apenas de personagens clássicos, o jogo consegue criar uma nova protagonista com espaço próprio, sem apagar a importância dos veteranos.
Leon S. Kennedy muda o ritmo — e isso é bom e ruim
A entrada de Leon muda completamente a energia do jogo.
Com ele, Resident Evil Requiem fica mais confiante, mais rápido e mais próximo da ação. Leon já viu o inferno várias vezes. Ele não reage ao terror como Grace. Ele encara a situação com experiência, sarcasmo e aquela postura de quem sabe que o mundo já acabou mais de uma vez.
Isso é divertido, principalmente para fãs antigos.
O problema é que, quando Leon entra demais em cena, parte do medo diminui. Não porque o jogo fica ruim, mas porque Leon naturalmente passa mais segurança. Com Grace, você sente que pode morrer. Com Leon, você sente que vai dar um jeito.
Essa diferença é intencional e funciona como contraste. Ainda assim, quem procura uma experiência 100% assustadora pode preferir os trechos de Grace.
Primeira ou terceira pessoa: escolha importante
Um dos grandes acertos de Resident Evil Requiem é permitir que as histórias de Grace e Leon sejam jogadas em primeira ou terceira pessoa. A página oficial do PlayStation destaca justamente essa liberdade de perspectiva, permitindo que o jogador encare o medo do jeito que preferir.
Na prática, isso muda bastante a experiência.
Em primeira pessoa, o jogo fica mais sufocante. Os corredores parecem menores, os inimigos chegam mais perto e a tensão cresce. É a melhor opção para quem quer mais imersão e medo.
Em terceira pessoa, o jogo fica mais clássico e confortável para quem gostou dos remakes de Resident Evil 2, 3 e 4. Você enxerga melhor o personagem, entende melhor o espaço e tem uma sensação maior de controle.
Minha recomendação: jogue Grace em primeira pessoa se quiser mais terror, e Leon em terceira pessoa se quiser uma experiência mais cinematográfica e próxima dos jogos clássicos recentes.
Raccoon City ainda pesa
O retorno a Raccoon City é uma das partes mais fortes de Requiem.
Não é só nostalgia barata. O jogo usa o peso histórico da cidade para criar uma sensação de luto, trauma e consequência. Para quem jogou Resident Evil 2 e Resident Evil 3, ver certos lugares, símbolos e lembranças novamente traz impacto.
Raccoon City não parece apenas um cenário reaproveitado. Ela funciona como uma ferida aberta dentro da história da franquia.
Esse é um ponto importante porque Resident Evil às vezes corre o risco de depender demais de referências. Em Requiem, muitas referências funcionam porque estão ligadas ao tema central: o passado não ficou enterrado.
Visual e som: Capcom em alto nível
Visualmente, Resident Evil Requiem é impressionante.
O RE Engine continua entregando ambientes detalhados, iluminação forte, personagens expressivos e uma sensação de realismo sem perder identidade. Os locais escuros são especialmente bons, porque a iluminação não serve apenas para deixar bonito; ela guia o medo.
O som também merece destaque. Passos distantes, portas, respiração, ruídos metálicos e sons de criaturas são usados para deixar o jogador desconfortável mesmo quando nada aparece na tela.
Em muitos momentos, o jogo assusta antes de mostrar qualquer coisa.
Isso é design de horror bem feito.
Jogabilidade: sobrevivência com ação na medida certa
Resident Evil Requiem funciona porque entende que Resident Evil sempre viveu em uma tensão entre horror e ação.
Com Grace, a jogabilidade é mais lenta, mais cuidadosa e mais focada em sobrevivência. Você pensa antes de gastar munição. Você observa melhor o ambiente. Você tenta evitar confrontos quando possível.
Com Leon, o jogo permite mais combate, mais explosão, mais precisão e mais ritmo. Isso impede que a experiência fique repetitiva.
O equilíbrio não é perfeito, mas funciona. A campanha ganha variedade e evita ficar presa em um único tom durante muitas horas.
Puzzles e exploração
Os puzzles seguem uma linha familiar para quem conhece Resident Evil. Você encontra chaves, símbolos, códigos, documentos e itens que destravam novas áreas.
Não espere nada extremamente complexo, mas os quebra-cabeças cumprem bem o papel de desacelerar o jogo e incentivar exploração.
A exploração é recompensadora. Vasculhar salas, encontrar munição escondida, descobrir documentos e entender o que aconteceu naquele lugar continua sendo parte essencial da experiência.
Esse é o tipo de detalhe que faz Resident Evil funcionar: o jogo não é só matar monstros. É entender o ambiente.
História: emocional, sombria e cheia de conexões
A história de Resident Evil Requiem é uma das mais interessantes da fase recente da franquia.
Ela mistura investigação, trauma, conspiração, legado de Raccoon City e o peso dos personagens antigos. Grace funciona como ponto de entrada para novos mistérios, enquanto Leon conecta tudo com a história clássica.
O jogo também tenta ser mais emocional do que alguns capítulos anteriores. Nem tudo é apenas vírus, monstros e corporações suspeitas. Existe uma tentativa clara de trabalhar culpa, memória, perda e sobrevivência.
Nem sempre tudo funciona perfeitamente, mas o resultado é forte.
Resident Evil Requiem vale a pena?
Sim, Resident Evil Requiem vale muito a pena.
É um jogo obrigatório para fãs da franquia e uma ótima recomendação para quem gosta de survival horror moderno. Ele tem medo, ação, personagens fortes, visual excelente e uma campanha que entrega momentos memoráveis.
Se você gostou de Resident Evil 2 Remake, Resident Evil 4 Remake, Resident Evil 7 ou Village, a chance de Requiem funcionar para você é alta.
Mas vale uma observação: se você quer terror puro do começo ao fim, talvez alguns trechos com Leon pareçam mais ação do que horror. Isso não estraga o jogo, mas muda o ritmo.
Para quem eu recomendo Resident Evil Requiem?
| Perfil de jogador | Deve jogar? |
|---|---|
| Fãs de Resident Evil | Sim |
| Quem gostou de RE2 Remake | Sim |
| Quem gostou de RE7 | Sim |
| Quem gosta de survival horror | Sim |
| Quem prefere ação com horror | Sim |
| Quem quer campanha single-player | Sim |
| Quem procura multiplayer | Não |
| Quem tem PC muito fraco | Melhor evitar |
| Jogadores novos na franquia | Sim, mas algumas referências podem pesar |
Pontos positivos de Resident Evil Requiem
| Ponto positivo | Comentário |
|---|---|
| Atmosfera excelente | O jogo cria tensão com ambiente, som e iluminação. |
| Grace funciona muito bem | Ela traz vulnerabilidade e medo para a campanha. |
| Leon é carismático | Sua presença adiciona ação e nostalgia. |
| Raccoon City tem peso | O retorno ao local é usado com força emocional. |
| Visual de alto nível | O RE Engine entrega ambientes e personagens impressionantes. |
| Boa variedade | Alternar entre Grace e Leon evita repetição. |
| Perspectivas diferentes | Primeira e terceira pessoa mudam bastante a experiência. |
Pontos negativos de Resident Evil Requiem
| Ponto negativo | Comentário |
|---|---|
| Ação pode reduzir o medo | Algumas partes com Leon são menos assustadoras. |
| Boss fights variam | Nem todos os confrontos têm o mesmo impacto. |
| Pode exigir bastante no PC | Não é ideal para máquinas fracas. |
| Nostalgia pode pesar | Jogadores novos talvez não sintam todas as referências. |
| Ritmo irregular em alguns trechos | A alternância entre horror e ação nem sempre é perfeita. |
Nota final de Resident Evil Requiem
Nota: 9.0/10
Resident Evil Requiem é uma excelente evolução da franquia. Ele respeita o passado, apresenta uma nova protagonista forte, usa Leon de forma inteligente e entrega uma campanha tensa, bonita e cheia de personalidade.
O jogo não abandona a ação, mas também não esquece o horror. Essa mistura é justamente o que faz Resident Evil ser Resident Evil.
Vale jogar? Sim, muito.
Vale preço cheio? Para fãs de Resident Evil e survival horror, sim.
Melhor plataforma? PS5, Xbox Series X/S ou PC intermediário/forte.
Nota final: 9.0/10.